Alienação III



Ele estava numa cama estranha, abraçou a mulher desconhecida, desejando apenas uma memória morta de tudo o que uma vez tinham desejado. Foi então que se apercebeu o quanto a amava, a mulher perdida; exactamente como eram, como a iriam amar até ao fim.

Deita-se entre os seus braços, acordado e a amaldiçoar a noite indiferente, lenta por ele, pelo seu desejo. Entre braços acordado em tal solidão, e quando a beija os seus lábios choravam o seu nome.

Comentários

Maria disse…
"era um nome entre dois mundos

lá em cima, onde a terra cheira
a céu, e a asas da noite nos põem
todos os dias um pouco
mais perto da primeira palavra.

no nome dela viviam casas com
janelas abertas sobre o silêncio,
pão, pétalas, o fogo e outras luzes

a vida e a morte aconteciam
assim, sábias, dentro do nome dela
como um murmúrio longíquo e familiar,
como um livro que temos medo de abrir.

o nome dela era uma cidade muito alta,
uma palavra alada e livre."

Renata Correia Botelho in, Small Song

Beijo-te e abraço-te assim-muito,
Damien disse…
«digo o teu corpo
poema, fruto silvestre

rascunho branco.»

[R.C.Botelho]

Digo-te assim, muito.

ps: Escreve muito bem a Renata.

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