Limpeza
© Fernando Morgado Tenho falado, sobre as minhas caixas, as minhas memórias, as minhas pessoas. Sobre cada um, são diferentes, sendo nenhum o mesmo. Ao limpar, começo a abrir caixas, espreitando as que já não vejo há algum tempo, reclassifico. Não deito nenhuma fora, só as volto a embalar. Coloco novos rótulos, mudo-as de sítio. Continuam por perto. Mudo as minhas prioridades, ajusto a minha vida, quero-a melhor.

Comentários
I'm not afraid of pain. I'm afraid of not living and not feeling nothing...
You know... I have a thing about things. Some people, they don’t have a thing about nothing.
Abraço-te,
Abraço-te,
destes medos antigos sempre novos?
Em que voltas desaparecerão os sonhos
que enfeitaram de flores o quintal antigo?
Por que caminhos irão andar aqueles ágeis pés?
Sobretudo, como se esvaziará de som a velha voz
e onde afundará o último verde daquela flama esguia?
In: RENAULT, Abgar. Obra poética. Rio de Janeiro: Record, 1990. Poema integrante da série O Rio Escuro.
Beijo-te,
Não rodou mais para a festa não irrompeu
Em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
A mudança fez-se vazio repetido
Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
Nem se cumpriu
E a espera é não acontecer — fosse abertura —
E a saudade é tudo ser igual.
Daniel Faria
Abraço-te com saudades,