Que o homem é a mais nobre das criaturas, pode inferir-se de nenhuma outra ter contestado tal afirmação.
Solar
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A minha pátria está nos teus olhos, o meu dever nos teus lábios. Pede-me o que quiseres menos que te abandone. Naufraguei nas tuas praias, estendido na tua areia; sou feliz, teu. Sou deste sol que és, solar em ti.
Pede-me a inteireza do meu ser, uma consciência mais funda do que a minha inteligência, uma fidelidade mais pura do que aquela que eu consigo controlar.
Pede-me uma intransigência sem lacuna.
Pede-me que arranque da minha vida que se quebra, gasta, corrompe e dilui uma túnica sem costura.
Pede-me que viva atenta como uma antena, pede-me que viva sempre, que nunca me esqueça.
Pede-me uma obstinação sem tréguas, densa e compacta.
...uma vida concreta: ângulo da janela, ressonância das ruas, das cidades e dos quartos, sombra dos muros, aparição dos rostos, silêncio, distância e brilho das estrelas, respiração da noite, perfume...
Se duvidas que teu corpo Possa estremecer comigo – E sentir O mesmo amplexo carnal, – desnuda-o inteiramente, Deixa-o cair nos meus braços, E não me fales, Não digas seja o que for, Porque o silêncio das almas Dá mais liberdade às coisas do amor.
Se o que vês no meu olhar Ainda é pouco Para te dar a certeza Deste desejo sentido, Pede-me a vida, Leva-me tudo que eu tenha – Se tanto for necessário Para ser compreendido.
Cada vez que me sinto extraviado, confuso, penso em árvores, recordo o seu modo de crescer. Raízes e copa com a mesma medida, hei-de estar nas coisas e sobre elas. E logo, quando se abram caminhos e não saiba qual seguir, não sigo um qualquer ao azar: sento-me e aguardo. Respiro com a profundidade que respirei no dia em que nasci, sem permitir que nada me distraia: aguardo e aguardo mais ainda. Fico quieto, em silêncio, e escuto-me. E quando me ouço, levanto-me e vejo onde me levo.
Pisam a floresta escura, cuja primitiva disposição desde sempre projecta a sua sombra; ponderam a corrente e as marés do oceano, observam as variadas formas de vida que os rodeiam: as aves que assombram florestas e planicies, os peixes que nadam, os mares, os rios, as correntes e os ângulos das suas margens; espreitam a vida que decorre o espaço e o seu tempo.
Comentários
a inteireza do meu ser, uma consciência mais funda do que a minha inteligência, uma fidelidade mais pura do que aquela que eu consigo controlar.
Pede-me
uma intransigência sem lacuna.
Pede-me
que arranque da minha vida que se quebra, gasta, corrompe e dilui uma túnica sem costura.
Pede-me
que viva atenta como uma antena, pede-me que viva sempre, que nunca me esqueça.
Pede-me
uma obstinação sem tréguas, densa e compacta.
...uma vida concreta: ângulo da janela, ressonância das ruas, das cidades e dos quartos, sombra dos muros, aparição dos rostos, silêncio, distância e brilho das estrelas, respiração da noite, perfume...
[Sophia M.B.A.]
És.
E Contigo, Tudo.
Possa estremecer comigo –
E sentir
O mesmo amplexo carnal,
– desnuda-o inteiramente,
Deixa-o cair nos meus braços,
E não me fales,
Não digas seja o que for,
Porque o silêncio das almas
Dá mais liberdade
às coisas do amor.
Se o que vês no meu olhar
Ainda é pouco
Para te dar a certeza
Deste desejo sentido,
Pede-me a vida,
Leva-me tudo que eu tenha –
Se tanto for necessário
Para ser compreendido.
[António Botto]
Somos.
Tudo,