Que o homem é a mais nobre das criaturas, pode inferir-se de nenhuma outra ter contestado tal afirmação.
De amor II
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Vivemos neste quarto, na nossa cama, na rua onde o meu braço te leva, no cinema e nos parques, no metro, nos lugares onde o meu ombro encosta a tua cabeça e a minha mão a tua mão e todo eu te sei como eu mesmo.
Mais do que um sonho: comoção! Sinto-me tonto, enternecido, quando, de noite, as minhas mãos são o teu único vestido.
E recompões com essa veste, que eu, sem saber, tinha tecido, todo o pudor que desfizeste como uma teia sem sentido; todo o pudor que desfizeste a meu pedido.
Mas nesse manto que desfias, e que depois voltas a pôr, eu reconheço os melhores dias do nosso amor.
Pisam a floresta escura, cuja primitiva disposição desde sempre projecta a sua sombra; ponderam a corrente e as marés do oceano, observam as variadas formas de vida que os rodeiam: as aves que assombram florestas e planicies, os peixes que nadam, os mares, os rios, as correntes e os ângulos das suas margens; espreitam a vida que decorre o espaço e o seu tempo.
Os dedos das sombras sabem o caminho. Até os mais vazios, expiram mortos e deixam rastos de vida. A intuição liberta a inibição onde descansam os sonhos, cativando sem tentar. O medo é deixado só, intocável, invisível, não sentido, sem sentido. Um anjo caído, um sonho. Um pulsar que desejas, “fica”.
Comentários
Silêncios sedutores, deixava-a passar os seus dedos pelo ombro; fechava os olhos, sorria de prazer.
Abraçados após doces sussurros, emergiam do sonho para aproximar os lábios. E continuava o sonho conjunto.
- ...rodamos enlaçados;
e aquele quarto fragmenta-se em luz e sombra e dissolve-se.
[F.M.]
Sou em ti.
Tudo,
Sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.
E recompões com essa veste,
que eu, sem saber, tinha tecido,
todo o pudor que desfizeste
como uma teia sem sentido;
todo o pudor que desfizeste
a meu pedido.
Mas nesse manto que desfias,
e que depois voltas a pôr,
eu reconheço os melhores dias
do nosso amor.
[David Mourão-Ferreira]
Sou em ti.
Todo,