Que o homem é a mais nobre das criaturas, pode inferir-se de nenhuma outra ter contestado tal afirmação.
Fala o vento
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O vento falou toda a manhã uma língua extraordinária. Fui hoje com ele. Estremeci as árvores. Fiz espuma no rio. Levantei areia. Entrei pelas finas rendinhas. Tu sorrias para mim.
Cada vez que me sinto extraviado, confuso, penso em árvores, recordo o seu modo de crescer. Raízes e copa com a mesma medida, hei-de estar nas coisas e sobre elas. E logo, quando se abram caminhos e não saiba qual seguir, não sigo um qualquer ao azar: sento-me e aguardo. Respiro com a profundidade que respirei no dia em que nasci, sem permitir que nada me distraia: aguardo e aguardo mais ainda. Fico quieto, em silêncio, e escuto-me. E quando me ouço, levanto-me e vejo onde me levo.
Pudesse eu dormir, como dorme uma criança; sorrir ao sonho, e sonhar contigo e sentir o sonho, e fundir-me, pouco a pouco, num outro maior. E passar pela vida de olhos bem abertos sobre um mundo interior, atento apenas ao ritmo do meu próprio coração... E passar pela vida, ser quem se evapora ao sol e perder-me uma noite, como morre uma estrela que ardeu milhares de anos sem ninguém a ter visto.
Comentários
tu surges a sorrir, deus desejante,
com a brisa matinal, a ver-me despertar;
e a sorrir eu desperto também
para este sonho em vigília que me chama.
esta certeza que me ocupa agora
o meu dia com minha noite,
a minha noite com meu dia.
e agora, transformado o sonho em acto,
que dinamismo me levanta
e me obriga a crer que isto que faço
é o que posso, devo, desejo fazer;
este trabalho tão saboroso de falar de ti,
de falar de mim de todas as maneiras, na forma
que me restou de todas, para ti!
[J.R.Jímenez]
Tu, assim.
Tua,
que disfarce
de ti aquilo que vejo
Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo
E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento
[M.T. Horta]
De ti, assim.