Os imortais e os três problemas



Mais uma brilhante conferência do Gonçalo M. Tavares acompanhada pelo arrebatador fado da minha amiga Aldina Duarte. São momentos roubados ao tempo como este que dão todo o sentido à nossa condição de mortais. Disse o Gonçalo que vivemos estranhamente rodeados de “imortais”: pessoas que se dão ao luxo de perder tempo com merdas (esta expressão já é minha), como se fossem viver para sempre e o tempo lhes sobrasse para tudo. A verdade é que não, que iremos todos morrer mais dia menos noite.

Outra questão de que o Gonçalo falou foi de 3 alegados problemas que afligem as pessoas que não têm o hábito e o prazer da leitura: o isolamento, o silêncio e a imobilidade. Quando na realidade os problemas estão nas suas antípodas: os grupos de que todos devem (à força) fazer parte, por oposição a um individualismo de carga negativa; as palavras, o discurso fútil e inconsequente, o ruído constante; e a velocidade a que tudo anda ou se faz. A popularidade do Facebook face aos blogues é disto um perfeito exemplo.

Precisamos de nos isolar para melhor reflectir, tal como do silêncio para nos ouvirmos.
E não, parar não é morrer.

Comentários

Maria disse…
"a Aldina cantou como só ela. Maravilhosamente bem. Cheia de garra, emoção e sentimento. Na passagem do primeiro fado para o segundo, disse-nos naquela sua voz de fadinha que aquela luz toda lhe estava a baralhar os ouvidos. E alguém apagou as luzes da sala e ela ficou em contraluz, de costas ou de frente, consoante os movimentos para o belo jardim e aquela bola sonhadora do planetário.

(...) e ouvi a Helena Vasconcelos dizer que vive para estes pequenos momentos que lhe iluminam os dias e a alma. E o Gonçalo M. Tavares com o seu ar tímido e sereno dizer que aquele grupo de pessoas que ali tinha estado a assistir era bom, tinha-lhe transmitido um bom sentimento, uma boa sensação."

io, in Amor e outros desastres

Beijo-te,

Damien Hamson disse…
Foi exactamente assim, e nós lá.

Beijo-te,
Sofia Martins disse…
As pessoas têm fome de reconhecimento e utilizam o Facebook e outras redes para "saciar" esse desejo, quando na verdade a saciedade advém do próprio, da sua individualidade e de saber dar ouvidos ao seu EU. Gostava de ter ido a essa conferência. Fica o desejo.

Cumprimentos
Damien Hamson disse…
Sem dúvida, Sofia. Eu tenho por hábito manter o meu eu bem alimentado. E estas conferências são uma das melhores formas de o fazer: saudáveis e enriquecedoras. Haverá outra amanhã, no Museu do Fado.

Obrigado pela visita.
Cumprimentos

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